Por Leliete Bizari
Quanto se falou e quanto se aguardou a volta de Ronaldinho para o Flamengo. Pensei que essa seria a notícia mais veiculada pelos meios de comunicação por uns três meses. Acho que todo mundo imaginou isso. Erramos.
Mais uma vez as chuvas do mês de janeiro vieram com força. Mais uma vez encontraram cidades despreparadas e desavisadas. Mais uma vez fizeram vítimas.
Ano passado o Brasil chorou com o deslizamento em Angra dos Reis e com a destruição da cidade de São Luiz do Paraitinga, mas depois de enterrados os mortos e reconstruídas as paredes, nada foi feito em áreas que apresentavam o mesmo risco.
Hoje a mídia se volta para o Rio de Janeiro, e não é para noticiar a compra milionária de Ronaldinho. Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis sofreram o pior desastre natural da história do Brasil.
Chorei ao ver pais enterrando seus filhos com enxadas, à beira de matas e estradas, tentando dar um fim digno aos que amavam. Chorei ao ver uma senhora lutando pela sua vida e a do seu cachorro, pendurada por uma corda.
Hoje, segundo números do jornal Folha de São Paulo, os mortos já somam 568 (e subindo) e mais de sete mil pessoas desalojadas. Ou seja, quem sobreviveu não tem para onde voltar.
O que eu me pergunto agora é: quantas vidas mais teremos que perder, quantas tragédias mais o Brasil terá de enfrentar para que algo seja feito no sentido de PREVENIR que tanta tristeza aconteça?
Uma reportagem publicada na edição deste sábado na Folha mostra que um estudo encomendado pelo próprio Estado do Rio de Janeiro já alertava, desde novembro de 2008, sobre o risco de deslizamento na região serrana. Desde 2008 já se conhecia o perigo e nada foi feito.
Agora a atual “presidenta” do Brasil, Dilma, diz que enviará R$ 100 milhões para ajudar as cidades serranas do Rio e que este dinheiro faz parte de um total de R$ 780 milhões que serão liberados para cidades e Estados prejudicados pelas chuvas.
Esse dinheiro não será suficiente para reconstruir três cidades inteiras nem tão pouco para apagar da memória dos brasileiros e de quem viveu esta tragédia a dor de perder a família inteira, de perder o bairro inteiro, os amigos, os conhecidos.
O problema do Brasil é que aqui se gasta muito com RECUPERAÇÃO, se corre atrás do prejuízo quando a PREVENÇÃO é o caminho. E isso vale pra tudo. Trânsito, saúde, educação....
O governador Sérgio Cabral disse que esse “não é o momento de se fazer avaliação e autocrítica sobre a tragédia, pois é hora de arregaçar as mangas e resgatar os corpos”. Mas a pergunta que fica é: quando será hora de se fazer essa autocrítica?
O que vemos no Brasil é um histórico de descaso. O país se choca com a desgraça, todos choram, criticam, apontam culpados ... e, depois de enterrados os mortos, esquecem o ocorrido, voltam as suas vidas, seguros, para suas casas e gabinetes como que se aguardassem a próxima tragédia.
O deslizamento na região serrana do Rio é a soma da força da natureza com a irresponsabilidade pública deste país.
Interessante, né..
ResponderExcluiras cidades viraram rio em janeiro.
Lamentável.
Engraçado que todo começo de ano a história é sempre a mesma, deslizamentos de terra enchentes e tudo mais. Desculpe o trocadilho, mas é chover no molhado.
ResponderExcluirO poder público só é culpado por um motivo, quando começam arrecadar impostos por moradias nessas áreas de risco ao invés de retirá-los é mais fácil arrecadar depois arranjar desculpas para o que não tem.